09 novembro 2006

A PESCA NA GRONELANDIA 4

Durante este período, a tripulação admirou-se bastante, não apenas com o facto de ser sempre de dia, chegando mesmo a ver-se Sol à meia noite, nos fins de Julho, mas também com os lindíssimos e variados aspectos que lhe oferecia a enorme quantidade de gelo, que, em grandes blocos, se estendia junto à costa e ainda com a extraordinária porção de aves marinhas – cagarras, painhos e pombaletes – cujos enormes bandos, ora pareciam nuvens no céu, ora cobriam o mar, onde se deixavam apanhar com facilidade. Também lhe causou certo espanto o extraordinário número de barcos a motor – palhabotes de dois e três mastros – pertencentes a países nórdicos e ainda os muitos e grandes veleiros franceses – lugres e patachos – pescando ao troley, que sulcavam aqueles mares, tão calmos, frios e brilhantes. O Capitão dum desses «Trolers» deu a informação de que não havia ventos contra a praia, pois que os rumos predominantes eram o sudoeste e o nordeste. Nestas circunstâncias, pôde o «Santa Joana» aproximar-se da costa, que era muito feia, alta e escarpada, e pescar aí grandes quantidades de bacalhau. Foi nesta altura que muitos esquimós, ainda jovens, e vestidos com os seus trajes muito característicos, visitaram o navio, trocando peles de foca, de arminho, de urso e de raposa branca por café, chá e aguardente. Estes jovens – rapazes e raparigas – que, com muita arte e ligeireza, se dedicavam também à faina da pesca, eram tripulantes dumas pequenas lanchas que, todos os dias, saiam dos estreitos e perigosos portos da Gronelândia. Apesar de tudo, no dia 5 de Agosto, como o peixe começasse a escassear, resolveu o Capitão procurar outro pesqueiro, mais ao norte, onde, em menos tempo, pudesse completar o carregamento. «Aos seis dias do mês de Agosto de mil novecentos e trinta e um, pelas seis horas, começamos a suspender a amarra e, pelas sete horas, fizemo-nos à vela, com todo o pano largo, ao rumo NNE com vento SW e tempo de chuva e nevoeiro. No dia sete pelas três horas, ancorou o navio no banco «Lille Hellefisk» na seguinte posição: lat. 65.00 N e long. 53.30 W». Arriados os dóris, em pouco tempo estes regressaram ao lugre, completamente carregados e, num abrir e fechar de olhos, todo o convés ficou inundado de peixe. Sob o vigilante e atento olhar do capitão, começa, imediatamente, o árduo e exaustivo trabalho da escada e da salga, que se prolonga por muitas horas. O esforço que os homens despendem não tem limites, mas a disposição é boa, porque compreendem que uma nova era de prosperidade se vai abrir para a arrojada e, até ali, tão desprotegida classe dos pescadores bacalhoeiros.

2 comentários:

Anónimo disse...

LINDO!!!...

BLUE MOON I disse...

Até ha cerca de uns meses, o blog, sempre que havia comentarios, amavelmente avisava-me, e eu, lá ia conforme podia, dando resposta. Isto ia muito bem..... Até que um belo dia, rás trás ´pás, acabou-se o correio e o blog bateu com a porta; Ainda tentei, mas , da forma como as coisas estavam a andar, e pesados os benefícios e os custos, decidi deixar estar, com os prejuizos evidentes; Pode parecer que não ligo; Não é verdade, não leio! E quando o faço , já é normalmente tarde...