31 agosto 2011

TANGER- MED


Os nosso termos de comparação vão descolando, enquanto por cá, ao discutir o sexo dos anjos, vamos brincando às vidas e aos reinos: reino das reformas e fantasias  , reino das convenções, fórums e fantasias, reino dos governos , correlativos e fantasias , e reino da treta. Que é de facto o que isto é.
Mas o mar, que me (nos) preocupa, traz-me à lembrança alguns dos desafios da Federação Empresarial da Economia do Mar, que é uma especie de mais do mesmo. Com a vantagem de ter o estudo do Sr. Prof. Hernani Lopes; vamos então aos desafios:
  • conceber os portos marítimos nacionais como autênticas plataformas logísticas integradas em cadeias logísticas internacionais, maximizando o interface entre auto-estradas do mar, rodovia, ferrovia e aeroportos, fazendo com que os transportadores passem a utilizar Portugal como hub (ponto de entrada e saída para as mais diversas localizações internacionais);
Andamos há 40 anos a dizer o mesmo. Sines é o exemplo acabado da nossa incompetencia. E o porto retratado em cima, prova-o.
Mesmo com TODAS as infraestruturas montadas, não depende exclusivamente da vontade portuguesa a colocação das varias entidades por cá. Há um longo caminho a percorrer e não será NUNCA com estes actores.

 melhorar as condições técnicas dos portos nacionais: profundidade, condições de operação nos portos, serviço ao cliente e comunicação;

Idem para este item; Tem-se gasto centenas de milhões, ou até biliões, em obras para esquecer. Só para comissões e para tapar o olho vesgo.
Racionalizar os portos, embaratecer as operações , e torná-los competitivos a TODOS os níveis. Ninguém, mas ninguém compreende porque é que os portos lusos são dos mais caros da Europa. Senão os mais caros.....
  • Refundação de uma marinha mercante adequada ao potencial marítimo português.
Muita coragem para escrever isto. Deve ter sido dificil, pois esta gente não entende que os navios devam ser de bandeira nacional, a competir com as outras bandeiras.
Quando havia dolares, ainda se falava na balança de pagamentos. Agora a musica é toca a encher a bolsa, tragédia em 3 actos, onde já vamos no segundo.


• Reduzir a fiscalidade e a burocracia associada às transacções portuárias;.

Pois, simples não é???

Já agora, dados sobre o porto de Marrocos:

"....The port will have an initial capacity of 3.5 million containers, and is expected to reach its full capacity of 8.5 million containers by 2015....."
Sines:
"...The aforementioned expansion plan is in progress, leading to the extension of the quay to 730 meters as early as 2010, and the installation of further super post-panamax gantry cranes, endowing it with a total capacity of 800,000 TEU per year...."


30 agosto 2011

KATIA


Então, o nascido de ontem, é já um nome. KATIA. Pergunto-me o que aconteceu ao "J"; Nado morto???


THE FOLLOWING INFORMATION IS BASED ON SATELLITE IMAGERY...WEATHER OBSERVATIONS...RADAR...AND METEOROLOGICAL ANALYSIS.

BASED ON 0600 UTC SURFACE ANALYSIS AND SATELLITE IMAGERY THROUGH
1045 UTC.
...SPECIAL FEATURE...

TROPICAL STORM KATIA IS CENTERED NEAR 11.8N 31.7W AS OF 30/0900 UTC...OR ABOUT 35 MI...855 KM WSW OF THE SOUTHERNMOST CAPE VERDE  ISLANDS MOVING WNW AT 15 KT. ESTIMATED MINIMUM CENTRAL PRESSURE IS 1006 MB. MAXIMUM SUSTAINED WIND SPEED IS 35 KT WITH GUSTS TO 45 KT. PLEASE SEE THE LATEST INTERMEDIATE PUBLIC ADVISORY UNDER AWIPS/WMO HEADER MIATCPAT2/WTNT32 KNHC AND THE FULL FORECAST/ADVISORY UNDER AWIPS/WMO HEADER MIATCMAT2/WTNT22 KNHC FOR MORE DETAILS. SCATTERED MODERATE TO ISOLATED STRONG CONVECTION IS MOSTLY W OF THE CENTER FROM 7N-14N BETWEEN 32W-39W. ENVIRONMENTAL CONDITIONS ARE CONDUCIVE FOR GRADUAL
INTENSIFICATION OF THIS SYSTEM OVER THE NEXT COUPLE OF DAYS.

ILHAVO, COSTA, GAFANHA


Quanto não vale este remanso de maré.....

28 agosto 2011

A STAR IS BORN

Nasce mais um ciclonezito, conhecido como uma perturbação tropical, que desenvolve para depressão tropical, até ser chamado de tudo o que há de mau.

Nasce cerca dos 10 graus norte,  Entre Cabo Verde e as Guinés, zona de fortissimos aguaceiros de chuva e vento, e já agora com trovoadas de meter medo!!!! Aqui já é visivel a perturbação;.Esta imagem reporta 29 Agosto.


A 30 ou 31, já está mais definida, e começa a navegar, também ela a rota da manteiga, sempre no paralelo de nascença.Ou muito próximo.


E daí a ganhar aquele aspecto ventoso e chuviscoso é um instante. Depois passa normalmente perto dos Fidéis, e vira-se para cima, chegando algumas vezes a encostar aos Açores.
Ainda há poucos anos, os fidéis Fidéis, convenciam alguns (?) que os ciclones eram marosca dos
" amaricanos".

26 agosto 2011

UMA QUESTÃO DE ACTIVOS


PORTUGAL tem 2 activos muito fortes. SÓ DOIS; São eles a nossa língua, e também o MAR, tal como o conhecemos, veículo do futuro, e que já o foi do passado. Não necessariamente por esta ordem.

A língua, o tal activo que menciono em primeiro lugar, só o é hoje, porque o segundo activo  – o  MAR – foi tratado como deve ser pelos nossos antepassados. E foi através dele que a nossa língua foi por aí, a Aportuguesar o mundo.

O que me custa, é que tenha de contabilizar estes LERDOS que nos têm governado, como descendentes  dos meus antepassados.

FÓNIX, PÁ……

20 agosto 2011

NOSSA SENHORA DO PRANTO


Cresci à espera dos dias da festa. Havia o antes e depois. As brincadeiras prolongavam-se noite fora, fosse com foguetes e canas, fosse a fazer as diabruras do costume, desde  que fizesse  as rapariguinhas de sempre  reparar em nós.
Antes, claro, havia a estafação de colocar as armações - arcos enfeitados e iluminados que demarcavam o " trottoir" - e  os grandes arcos do Ti Barreto e do Ti Casimiro, sempre à procura do melhor elogio. Verdadeiras festas da ingenuidade dos seus autores.


Havia dois dias distintos, naqueles tempos: o primeiro, dia da festança e do carneiro ( obrigatório nesses dias, a chanfana de cabra velha ) onde se mostrava alguma roupita nova, as mulheres da rua iam ao cabeleireiro ( ida única anual ) e se esperava pela procissão. Novamente aqui tentávamos mostrar a nossa fibra, e carregávamos alguns dos " andores" pela rua fora, sempre intervalados com muitos pit stops, para dar alento e coragem para levar até final o pesadelo. Que fazíamos com gosto, alguma devoção e muita brejeirice.
O segundo dia, alem de ser o dia (ainda) do carneiro, tinha as corridas das argolinhas, que eram umas habilidades que se faziam nas pasteleiras de então, além da subida ao mastro ( em vila maruja, só podia ter este nome) que era uma vara enorme, para os nossos verdes anos, onde eram colocados um bacalhau, uma garrafa ou garrafão de vinho e umas notas de dólares dados pelos nossos beneméritos emigrantes nos USA, que faziam questão de vir à festa da sua Rua.
Rematava-se este dia com   o " atirar cavacas" da Capela, que era tradição antiga,e uma corridas de sacos, sempre muito enfarinhadas e divertidas.
ARTIGOS DE OFFICIO (Reino)
Portaria em 17 de Agosto ao Governador Civil de Aveiro, em resposta ao seu oficio de 21 do corrente, em que da parte da prisão de 4 indivíduos, que com mais alguns dos outros pescadores da companhia dos capotes haviam dado vivas a D. Miguel na romagem, e festa de Nossa Senhora do Pranto, em Ílhavo, no dia 15 deste mês, e percorrendo de noite as ruas daquela Vila tinham provocado com insultos, e desafios a gente constitucional; a fim de que o mesmo Governador auxilie a acção da justiça acerca da existência, e circunstancias destes factos, e seus actores, para serem punidos.

Deslavaditas, hoje. Falta de devoção e falta de empenho

19 agosto 2011

SERVIÇO

No meio do Atlantico, literalmente, a muitos dias das costas de Africa e do Brasil ( porque não??), O Fernando teve de me passar água. 70 Toneladas, disse ele ( o dador) ; 30 toneladas, digo eu ( recebedor). Isto só pode ter a ver com as medidas de VENDER e as medidas de COMPRAR, claro.


Não foi esta a operação mais dificil, talvez porque já rotinados com poutras duas ou três que tivemos necessidade de fazer para mantimentos e sobressalentes. Tudo isto sem riscar a pintura.....
Na Pesca do Bacalhau, era uma actividade diária.           
   
                                          




18 agosto 2011

A BOA E A MÁ PESCA



Algures, já na parte sul do nosso mar, quase a metade do caminho para o Brasil, apanhámos este parente do peixe espada; de serrote bem afiado, apresentou-se-nos desta forma. Tínhamos cerca de 200 metro de linha para baixo. Comeu-se (?) frito e ninguém gostou.

FLYING DUTCHMAN

Apareceu-me em sonhos e durante a noite, in the flesh......., e eu às escuras todinho,  que as lâmpadas de navegação foram todas atrás umas das outras.......

SATELITE, E AS NOVAS OPORTUNIDADES


Para a madeira, claro....
          O zingarelho que se vê acamado, aqui em cima, é um telefone satélite, que no dizer do vendedor, só se ouve bem " para lá das Canárias"; Está tudo dito.
          Dentro da ponte , mesmo à janela, era escusado. Tinha de vir cá para fora, para ter sinal. Mesmo fraco. Tinha comprado uma licenças para ter EMAIL, da XGATE, que só funcionou 2 vezes, dado o telefone ter uma estabilidade de sinal muito fraca, deixando-me pendurado constantemente. Não tive Email, tão pouco os boletins meteo que me fariam tanto e tanto jeito; Valeu-me no caso, o meu Amigo Cmdt. Ferreira, que em casa e a desoras, me fornecia via telefone, o estado do mar sempre para 3 dias.
Sem ele,  teria sido uma xatice das grandes.

A CAMINHO DOS MARES DO SUL

         
 Sem se tratar de verdadeiramente mau tempo, também raramente foi bom, como aqui se mostra. Dadas as caracteristicas dos navios, o chocalhar era uma constante.

         

          Os movimentos eram tão rápidos, que  muitas vezes não tinhamos tempo de os desfazer, isto é, estavámos constantemente aos sobressaltos; E saltos.


E lá se foi,

Nas fotografias , a vaga é sempre achanadinha. Encore bien....

17 agosto 2011

NA ROTA DO ALMIRANTE GAMA


Ainda foi o mês de Junho ,  verão tíbio, que viu sair de Peniche  as primeiras barcaças construídas para operar em águas moçambicanas. Construção portuguesa, enfim, comunitária. Pelo menos o projecto,  direcção e controle foram nossos. O material é , digamos, comunitário da Galiza.



Os Trade Winds, famosos pela sardinha e carapau, ainda não eram de lei, ao que se antevia. Não houve grande rigor, na escolha do dia para se sair: CALHOU!!E levámos com eles, todinhos!!!!!
O que nos obrigou, 2 horas após a largada, a pôr de capa, para poder pear e  arranjar, enfim, tratar das coisas. Demorou o oficio 3 ou 4 horas, aceleradas. Depois seguimos.

 Como muito bem ilustra a "image", -  a demonstração cabal que o NORTE é para cima, e enfim, que o SUL é para baixo - o navio da MOL puxa pesadamente pelos seus contentores, rumo sabe-se lá para onde... Para cima, diremos nós.
Claro que nós íamos, lampeiros e impados para baixo, que é como quem diz, para os sules.
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           A nossa barcaça, e o termo favorece-a, pode-se designar por uma  LANDING CRAFT , que é a modos que uma barcaça que aterra de queixada. E leva tudo à frente. Figurativo, que eu ia atrás.....
Acho, aliás, óptimo que se ganhe algum nâuáu nesta matéria, pois creio que mais cedo do que mais tarde, vamos ter de operar estas coisas nas nossas praias. Imagine-se um navio destes  a carregar na Costa Nova para o Moledo.....

          Mas nós, nesta fase, já só queríamos ir para o Sul, e experimentar a ROTA DA MANTEIGA, que como se sabe, determina-se da seguinte forma:
- À saída da um porto europeu, coloca-se um pacote de manteiga numa mesa, no interior da barcaça. Espera-se que comece a derreter; Assim que pelo menos metade da bendita da manteiga desapareça, põe-se tudo a estibordo, e depois faz-se como o Cabral:- ESPERA_SE!!
Nesta altura do campeonato, o Sol ponha-se atrás da janela , meio amaricado.

O mar era de rigor: Bem vestido mas com um feitio do caraças.
O que me faz pensar que, a sair à vela por aí abaixo, há que ter em atenção as datas, e JUNHO NÃO DEVE SER OPÇÃO. Não se esqueçam.
Segue mais tarde.....