24 novembro 2006

A V E I R O

Decorreu com muito luxo a recepção aos Amigos de Lisboa aqui em Aveiro. Por força da meteorologia fomos obrigados a cancelar o passeio de moliceiro até ao Bico da Murtosa e cancelamos também a visita ao Museu Marítimo de Ílhavo, na verdade todos nós já lá tínhamos estado. Não nos desobrigamos, no entanto, da feijoada de Samos, preparada com esmero e carinho pelo Ricardo Madeirense, que estava de estalo. A Associação Náutica da Torreira trouxe até nós o Porto de Honra que tinha preparado para a recepção da Torreira, tendo todos nós degustado um tawny ruby com um tudo cheio de anos que estava simplesmente delicioso. A Confraria de São Gonçalo abrilhantou o jantar com um numero de variedades em que reproduziu o seu vasto e portentoso reportório, nomeadamente a canção com que concorreu ao Festival de Cuernavaca na América Latrina, a famosíssima "Qué vá qué vá, qué vá", tendo também actuado, directamente vindo do Circo Chen Monteiro o vidente, mágico e ilusionista emérito Luís Christo, que encantou a assistência com as suas ilusões, truques e dixotes, tendo mesmo declamado Luís Regala. Aliás, após o espectáculo, o vidente recebeu de imediato um convite da TV Globo para animar o próximo Carnaval do Rio de Janeiro, sendo coadjuvado pelo Comandante Licas, deslocando-se este ao Rio para liderar a organização do Carnaval, facto que muito nos enche de orgulho e impância. Decorreu deste modo este jantar, tendo ainda sido distribuídas t shirts alusivas à visita dos nossos amigos, que a organização entendeu por bem mandar imprimir. No fim do jantar o nosso presidente agradeceu a presença dos convidados, dirigindo-se em particular aos representantes da Associação Náutica da Torreira e à Drª Ana Maria Lopes, que nos honraram com as suas presenças. Ahhh, um piqueno pormenor, os nossos Amigos de Lisboa não vieram.

MAU TEMPO NA COSTA DE CASCAIS

S. João às oito e meia; Com a maré , logo, vai dar que falar. Atenção Reparem nas proas do barco fundeado. Com o W e SW ficar aqui parado é obra; Máquina de atenção e a manter temperaturas. Vou para baixo!

14 novembro 2006

COMO NOS VÊEM

Creio que é assim que os Santos que protegem os navegadores nos vêem; Parecidos com modelos telecomandados, de um tamanho ridiculo. Devem ter alguma dificuldade em identificar ( quem é quem) , mas com os milhares de anos de treino, deve ser canja.

CONSTRUÇÃO NAVAL

Esta bonita escuna, construida em Portugal, também trabalhou na pesca do bacalhau; Era a industria emergente, na altura. Agora o desafio: - Quem identifica o local onde está montado o estaleiro???

10 novembro 2006

A PESCA NA GRONELANDIA 5

E a campanha prolonga-se até ao dia seis de Setembro, sempre com os mesmos perigos, os mesmos trabalhos, as mesmas saudades. Todavia, no dia seguinte, quando todas as panas estão atulhadas e no porão não cabe mais nada, quando já não há outro sitio onde salgar bacalhau, quando o convés está debaixo de água e o navio não tem posse para mais carga, o Capitão, depois de tudo bem acautelado – as escotilhas devidamente cobertas e pregadas e os botes piados com segurança – manda içar, bem a tope, no mastro da mezena, a bandeira nacional e escreve no «Diário de Bordo»: «Aos sete dias do mês de Setembro de mil novecentos e trinta e um, estando o lugre português «Santa Joana» ancorada no banco Lille Hellefisk, por ter completado o seu carregamento de bacalhau, foi dada por finda a campanha de pesca». Pelas seis horas o Capitão mandou virar a amarra, para seguir viagem para Portugal, com destino a Aveiro. Pelas sete horas fizemo-nos de vela, com todo o pano largo, ao rumo SE41/2S. «Deus nos leve a salvamento». Quando, nos princípios de Outubro, os quatro lugres, que pescaram nos bancos da Gronelândia, chegaram a Portugal e demandaram os seus portos de armamento, ouve grande alvoroço e muito regozijo entre as classes ligadas ás actividades piscatórias. É que, de todos os veleiros que, nesse ano de 1931, foram à pesca do bacalhau, apenas aqueles quatro conseguiram carregamentos completos
Em face destes resultados tão auspiciosos, imediatamente os restantes armadores resolveram mandar preparar os seus navios, para que a próxima campanha fosse exercida nos mares da Gronelândia. Daí em diante, os carregamentos foram sempre mais ou menos compensadores, o que fez com que esta industria – agora também orientada e grandemente auxiliada pelo Grémio dos Armadores – se tornasse maior, mais rica e mas progressiva. É bom pois, que não sejam esquecidos aqueles quatro arrojados Capitães e suas destemidas tripulações, bem como os armadores dos referidos navios, particularmente o gerente da empresa de pesca de Aveiro, senhor Egas da Silva Salgueiro que, com a sua grande visão e iniciativa, muito contribuiu para o incremento e prosperidade da Industria Bacalhoeira.

09 novembro 2006

A PESCA NA GRONELANDIA 4

Durante este período, a tripulação admirou-se bastante, não apenas com o facto de ser sempre de dia, chegando mesmo a ver-se Sol à meia noite, nos fins de Julho, mas também com os lindíssimos e variados aspectos que lhe oferecia a enorme quantidade de gelo, que, em grandes blocos, se estendia junto à costa e ainda com a extraordinária porção de aves marinhas – cagarras, painhos e pombaletes – cujos enormes bandos, ora pareciam nuvens no céu, ora cobriam o mar, onde se deixavam apanhar com facilidade. Também lhe causou certo espanto o extraordinário número de barcos a motor – palhabotes de dois e três mastros – pertencentes a países nórdicos e ainda os muitos e grandes veleiros franceses – lugres e patachos – pescando ao troley, que sulcavam aqueles mares, tão calmos, frios e brilhantes. O Capitão dum desses «Trolers» deu a informação de que não havia ventos contra a praia, pois que os rumos predominantes eram o sudoeste e o nordeste. Nestas circunstâncias, pôde o «Santa Joana» aproximar-se da costa, que era muito feia, alta e escarpada, e pescar aí grandes quantidades de bacalhau. Foi nesta altura que muitos esquimós, ainda jovens, e vestidos com os seus trajes muito característicos, visitaram o navio, trocando peles de foca, de arminho, de urso e de raposa branca por café, chá e aguardente. Estes jovens – rapazes e raparigas – que, com muita arte e ligeireza, se dedicavam também à faina da pesca, eram tripulantes dumas pequenas lanchas que, todos os dias, saiam dos estreitos e perigosos portos da Gronelândia. Apesar de tudo, no dia 5 de Agosto, como o peixe começasse a escassear, resolveu o Capitão procurar outro pesqueiro, mais ao norte, onde, em menos tempo, pudesse completar o carregamento. «Aos seis dias do mês de Agosto de mil novecentos e trinta e um, pelas seis horas, começamos a suspender a amarra e, pelas sete horas, fizemo-nos à vela, com todo o pano largo, ao rumo NNE com vento SW e tempo de chuva e nevoeiro. No dia sete pelas três horas, ancorou o navio no banco «Lille Hellefisk» na seguinte posição: lat. 65.00 N e long. 53.30 W». Arriados os dóris, em pouco tempo estes regressaram ao lugre, completamente carregados e, num abrir e fechar de olhos, todo o convés ficou inundado de peixe. Sob o vigilante e atento olhar do capitão, começa, imediatamente, o árduo e exaustivo trabalho da escada e da salga, que se prolonga por muitas horas. O esforço que os homens despendem não tem limites, mas a disposição é boa, porque compreendem que uma nova era de prosperidade se vai abrir para a arrojada e, até ali, tão desprotegida classe dos pescadores bacalhoeiros.

08 novembro 2006

A PESCA NA GRONELANDIA 3

Pelas 18,30 horas, começou-se a virar a amarra e, pelas 19 horas, fizemo-nos de vela ao rumo NE 4N, com vento W e todo o pano largo. Juntos, na Virgin Rocks, estavam os seguintes lugres portugueses: Santa Isabel, Hortense e Cruz de Malta. Navegámos com vento W regular e nevoeiro cerrado, não se vendo os navios, quando partimos». A viagem, que demorou treze dias, foi toda feita com tempo irregular. Algumas vezes havia vento muito fresco, aguaceiros de neve e mar bastante agitado; noutras ocasiões, apenas se fazia sentir uma leve aragem, que mal fazia deslocar o navio, ficando este quase desgovernado, quando, pela tardinha, o vento acalmava por completo. Assim se foi singrando, pouco a pouco, por águas desconhecidas e muito frias, que eram olhadas com desconfiança e um certo temor. No dia 15, porém, pelas sete horas da manhã, passou à fala um vapor inglês, cujo comandante, depois de haver mandado parar as máquinas, forneceu algumas informações, muito úteis, a respeito dos mares da Gronelândia e sobre as condições de pesca nos seus bancos, chegando mesmo a oferecer algumas cartas daquela região. Os tripulantes de «Santa Joana», até aí tão receosos e cepticos, sentem que uma grande alegria lhes invade os corações. Mas, pela tarde desse mesmo dia, são avistados quatro enormes ilhas de gelo, que, novamente, a todos causam grandes preocupações. No entanto, a viagem prossegue, com a máxima cautela, sempre com vigias atentos, a prescrutar o horizonte, para que o navio se possa desviar de qualquer icebergue ou se não enfie para dentro de alguma zona gelada e, no dia seguinte, pelas 10 horas, segundo reza o «Diário» avista-se terra – a ilha da Gronelândia – toda coberta de gelo. «Pelas 18 horas, sondámos em trinta braços, continuando a navegar, com tempo muito bom e claro. Navegámos com vento bonançoso e terra à vista, ao rumo NE 4N, até que, pelas três horas, como houvesse calma e muito bacalhau à borda, ancorámos na posição de lat. 63.40 N e long. 53.00 W – Banco Fillas – com 50 braços de arame de 30 de correntes». O «Santa Joana» manteve-se neste «BANCO» cerca de 21 dias, sempre com bom tempo e fazendo pescas abundantes.

A PESCA NA GRONELANDIA 2

À tardinha, depois de muita procura, todos regressam ao lugre, uns quase vazios e outros com peixe à sarreta. A bordo é uma tristeza! Já passou um mês e ainda não se pescaram trezentos quintais. De noite, naquela longa noite, em que nada se ouvia a não ser os gemidos monótonos produzidos pela oscilação lenta do navio e o tic-tac do relógio de cobre, pendurado na antepara, por baixo do alboi, o Capitão não dormia. Primeiramente, sentado na loca da Câmara, que um candeeiro de suspensão iluminava, com a sua luz amarelada e vacilante, falara com o piloto e com o contramestre; mas agora no seu camarote, muito sozinho, não conciliava o sono. Pensava, pensava sempre. Aos louvados, já ele estava no convés, sem ter pregado olho. Reuniu então toda a companha: - Rapazes: aqui não fazemos nada. É uma desgraça para nós e para os patrões! Dizem que lá no Norte, na Gronelândia, há muita fartura de peixe. Quereis ir até lá? Os pescadores, receosos, entreolharam-se e nada disseram. Mas, passado aquele momento de indecisão, um dos mais velhos quebrou o silêncio: o senhor Capitão tem mulher e filhos, como nós. Leve-nos, portanto, para onde quiser, pois temos a certeza de que vamos para bem. Leve-nos para qualquer sítio, onde haja bacalhau, porque foi para o pescar que deixámos, lá longe e com tantas saudades, as nossa terras e as nossa famílias. Surgiu então no Diário de bordo, que tenho na minha frente, a seguinte passagem:«As dois dias do mês de Julho de 1931, estando o lugre «Santa Joana» ancorado no Virgin Rocks, a E do Main Ledg, como não houvesse peixe suficiente para o carregamento do navio, resolveu o Capitão suspender a amarra e seguir viagem para os bancos da Gronelândia.

06 novembro 2006

A PESCA NA GRONELANDIA

Escrito pela primeira vez, pelo Dr. Amadeu Cachim, Presidente da Camara Municipal de Ilhavo e ao tempo, também director da Escola Industrial e Comercial de Aveiro, transcrevo com a devida vénia: ------------------------------------------------------------------------------------------------" --------------------------------Primeira Viagem -------------------------------------------------------------- Há já muitos anos e muitos anos, que, na época própria, airosos veleiros portugueses atravessavam o Atlântico, a fim de, nos bancos da Terra Nova, praticarem a pesca à linha. Mas o peixe começou a escassear naquelas paragens, e era necessário procurar outros bancos, onde houvesse abundância de bacalhau, para que os carregamentos dos lugres pudessem compensar as enormes despesas feitas pelos armadores. Quase todas as empresas se encontravam arruinadas a esta industria, com mais dois ou três anos maus, terminaria toda a actividade. Nestes apuros, em 1930, um homem de Ilhavo, Capitão do Lugre Santa Mafalda, tentou demandar os mares da Gronelândia, onde se dizia haver muito bacalhau. Mas, por que se não tinha munido de todas as cartas daquela região, regressou à Terra Nova, depois de haver sofrido as inclemencias do frio, nos mares gelados do estreito de Davies. Estava , no entanto, lançada a ideia. No ano seguinte, quatro navios “Santa Joana”, Santa Mafalda”, “Santa Isabel” e “Santa Luzia”, comandados respectivamente pelos Capitães João Ventura da Cruz, João Pereira Cajeira, Manuel dos Santos Labrincha, e Aquiles Gonçalves Bilelo, todos de Ilhavo, depois de permanecerem nos bancos da Terra Nova, durante cerca de um mês, rumaram aos mares da Gronelândia, onde encontraram grande fartura de bacalhau. -Alta madrugada, estrelas ainda no céu, os da “ companha” são acordados por uma voz rouca e forte que, da boca do rancho, exclama: seja Louvado e Adorado Nosso Senhor Jesus Cristo; são quatro horas, vamos arriar. Ainda estremunhados, os pescadores saltam dos boliches e enfiam a roupa de oleado e as botas de água. Engolido à pressa o café, sobem a correr para o convés. Então os dóris, munidos do estrafego, da agulha de marear e da isca, são imediatamente arriados pelos teques e afastam-se do navio. A remos ou à vela, lá vão eles para o lejo, à procura de um bom espalco, onde a trabalhosa e enervante faina possa ser compensadora. Mas, como nos dias anteriores o bacalhau não aparece. ......."

02 novembro 2006

MICROSOFT OUTLOOK

Não tenho a menor duvida que é um instrumento de trabalho valiosissimo. Tem-me ajudado imenso, principalmente na organização da minha vida. Agora não sabia que o proboscídio desligava aos 2GB; Sem remédio. O fulano cria uma pasta em C:\Documents and Settings\USER \Definições locais\Application Data\Microsoft\Outlookoutlook.pst que vai enchendo ( tudo o que é mail , agenda, contactos, vai para o saco); Quando chega aos 2 GB, é uma bomba atómica.... Não se faz nada.... Agenda não aceita, os erros são ininteligiveis - como sempre o são , contactos e correios idem. Resultado: trabalhos forçados para um dia..... E é assim. Agora que já cá estou , vamos continuar